Relações entre religião e identidade negra em adolescentes candomblecistas de Olinda-PE

Autores

  • Douglas Batista de Oliveira Universidade de Pernambuco
  • Simonelly Ferreira Vilela Universidade de Pernambuco
  • Kalina Vanderlei Silva Universidade de Pernambuco

Palavras-chave:

Adolescente;, Origem étnica e saúde;, Grupo com Ancestrais do Continente Africano

Resumo

Introdução: Durante a adolescência, as buscas pela formação de uma identidade e associações com grupos ganham destacada relevância. O desenvolvimento desses processos é orientado pelas intersecções de diferentes marcadores sociais que classificam os adolescentes, como gênero, raça, classe social, religião, dentre outros. O candomblé, enquanto religião afro-brasileira, tem profunda associação com os povos de origem africana e, inicialmente, era cultuado apenas por brasileiros descendentes de africanos. Embora a população adepta dessa religião não seja mais exclusivamente afrodescendente, as origens do candomblé mantêm profunda ligação da religião com os negros, podendo fortalecer as relações existentes entre as identidades religiosa e étnico-racial dos seus praticantes, especialmente os adolescentes. Objetivo: compreender como os adolescentes candomblecistas do município de Olinda (PE) identificam e representam a própria raça e quais as influências da religião sobre esses processos. Material e métodos: pesquisa de campo de abordagem qualitativa e natureza interdisciplinar realizada através de observações participantes em dois terreiros de candomblé do município de Olinda e entrevistas semiestruturadas individuais com dez adolescentes candomblecistas que frequentavam os referidos terreiros. A análise dos dados obtidos durante a coleta foi orientada pelas contribuições da Análise do Discurso e da Teoria das Representações Sociais. Resultados e discussão: Nas entrevistas, ao serem questionados sobre a forma como se identificavam em relação a própria cor ou raça, 9 adolescentes se definiram como negros e apenas 1 como pardo. Uma parcela dos entrevistados argumentou que se definia como negro por conta de seus atributos fisionômicos, enquanto outra fração apontou que aspectos culturais, como a própria filiação ao candomblé, determinavam sua identidade negra. As representações destes últimos, no entanto, entravam em conflito com outras representações existentes no grupo religioso, no qual a cor de pele preta era, por vezes, apontada como um traço determinante para a validação da identificação enquanto negro e reconhecida como uma característica essencial para um praticante do candomblé, o que comprometia a inserção de alguns adolescentes no grupo. Dessa forma, foi possível verificar que o grupo religioso pode ter sido um dos determinantes da majoritária autoafirmação dos participantes como negros por estimular ou, em alguns casos, exigir de seus membros tal identificação. Considerações finais: Ao aclamar a identidade negra em referência aos povos que o originaram, o candomblé favorece a predominância dessa identidade étnico-racial entre seus adeptos. Se, por um lado, o grupo religioso pode oferecer um importante contraponto às representações hegemônicas que depreciam a identidade negra, por outro lado, também pode erigir barreiras, ainda que informais, que limitam a participação de alguns indivíduos por conta de sua raça ou etnia.

Biografia do Autor

Simonelly Ferreira Vilela, Universidade de Pernambuco

Mestra em Hebiatria pela Universidade de Pernambuco, Graduada em enfermagem pela Universidade Federal de Pernambuco. 

Kalina Vanderlei Silva, Universidade de Pernambuco

Doutora em História pela Universidade Federal de Pernambuco, professora adjunta na Universidade de Pernambuco.

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Publicado

2021-04-22

Como Citar

Batista de Oliveira, D., Ferreira Vilela, S., & Vanderlei Silva, K. (2021). Relações entre religião e identidade negra em adolescentes candomblecistas de Olinda-PE. Revista De Extensão Da UPE, 6(Suplemento 1), 98–99. Recuperado de https://www.revistaextensao.upe.br/index.php/reupe/article/view/148